Como funcionam os pedágios no Brasil (2026): ANTT, ARTESP, praças, free flow e tags
No Brasil o pedágio é cobrado por concessionárias privadas sob dois reguladores: a ANTT nas rodovias federais e agências estaduais, como a ARTESP em São Paulo, nas estaduais. A cobrança acontece em praças com cancela ou em pórticos free flow, o valor é reajustado uma vez por ano pela inflação, e um único tag funciona em toda a malha federal.
O BrazilTolls é um estimador independente. Não é a ANTT, a ARTESP, uma concessionária nem uma administradora de tag. As informações abaixo foram lidas nas páginas oficiais em 3 de setembro de 2026; confirme na concessionária antes de viajar.
As rodovias federais, as BR, são concedidas e reguladas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, cujo índice lista 33 concessionárias ativas com links para as tarifas e a localização das praças de cada uma. As rodovias estaduais respondem a agências dos estados; em São Paulo é a ARTESP, que explica que o cálculo das tarifas usa o conceito de tarifa quilométrica, um valor fixo por quilômetro multiplicado pelo trecho de cobertura de cada praça, com três classes de rodovia: sistema rodoviário, pista dupla e pista simples.
Na prática, o motorista que sai de São Paulo para o Rio pela Dutra está numa concessão federal (CCR RioSP), enquanto quem vai a Campinas pela Bandeirantes está numa concessão estadual paulista. As tabelas de tarifas ficam em lugares diferentes: nas páginas por concessionária da ANTT e nas decisões da ANTTlegis para as federais; no PDF de tarifas da ARTESP e no site Siga Fácil para as paulistas.
Praça de pedágio ou free flow
A forma tradicional é a praça de pedágio, com cabines e cancelas. A alternativa que cresce desde 2023 é o free flow, definido pela Resolução CONTRAN nº 1.013/2024 como o conjunto de procedimentos e sistemas que permite a cobrança de uso de vias por meio de pedágios eletrônicos, sem a necessidade de parada ou redução de velocidade dos veículos, dispensados o uso de praças de pedágio ou barreiras físicas. Sem tag, o sistema identifica a placa e o motorista paga depois. Nosso guia sobre free flow explica prazos, multas e como pagar.
Como a tarifa é definida e reajustada
Cada contrato federal tem uma Tarifa Básica de Pedágio reajustada anualmente, em data fixada no contrato, por um Índice de Reajustamento Tarifário ligado ao IPCA, combinado com uma revisão ordinária que aplica fatores por obras não executadas e outros ajustes. A CCR RioSP, por exemplo, reajusta em 1º de setembro: a Decisão SUROD nº 1.053, de 14 de agosto de 2026, aplicou a variação positiva de 4,44% do IPCA e um Fator D de 4,93%, com vigência a partir de 1º de setembro de 2026.
Em São Paulo, os contratos de primeira e segunda fase reajustam em 1º de julho desde 1998. Em 2026 o índice foi de 4,72%, o IPCA de junho de 2025 a maio de 2026, aplicado em 1º de julho a mais de trinta rodovias, além de Rodoanel Oeste, SPMAR e Tamoios; as concessões mais novas do programa Siga Fácil reajustam em outras datas.
Categorias de veículo
As tabelas oficiais classificam por número de eixos e tipo de rodagem, e a tarifa comercial é a tarifa de categoria 1 multiplicada pelo número de eixos. A tabela abaixo é a da ANTT para a Ecovias Minas Goiás, atualizada em 28 de agosto de 2026. A numeração varia por contrato: na CCR RioSP as motocicletas são a categoria 11 e estão isentas, e ambulâncias e veículos oficiais formam a 12.
Categorias de veículo em tabela oficial da ANTT (BR-050, Ecovias Minas Goiás)
Categoria
Veículo
Eixos e rodagem
Multiplicador
1
Automóvel, caminhonete e furgão
2 eixos, rodagem simples
1,0
2
Caminhão leve, ônibus, caminhão-trator e furgão
2 eixos, rodagem dupla
2,0
3
Automóvel e caminhonete com semirreboque
3 eixos, rodagem simples
1,5
4
Caminhão, caminhão-trator com semirreboque, ônibus
3 eixos, rodagem dupla
3,0
5
Automóvel e caminhonete com reboque
4 eixos, rodagem simples
2,0
6, 7, 8
Caminhão com reboque, caminhão-trator com semirreboque
4, 5 e 6 eixos, rodagem dupla
4,0 / 5,0 / 6,0
9
Motocicletas, motonetas e bicicletas a motor
2 eixos
0,5
10
Veículos oficiais e do Corpo Diplomático
—
Isento
Formas de pagamento
A ANTT informou em 19 de dezembro de 2025 que quase 100% dos pedágios em operação nas rodovias federais concedidas aceitam múltiplas formas de pagamento, como Pix, cartões de crédito e débito por aproximação, dinheiro em espécie e sistemas automáticos por tag. Nas praças paulistas o padrão é semelhante: a Tamoios, por exemplo, aceita dinheiro, cartões de débito por aproximação e cartão de crédito nas cabines manuais. Nos pórticos free flow de São Paulo o pagamento posterior é por Pix, boleto, cartão, WhatsApp ou aplicativo, conforme a concessionária.
Tags: cinco administradoras, uma malha
A ANTT autoriza e fiscaliza as Administradoras de Meios de Pagamento para Arrecadação de Pedágio, as AMAPs, assegurando interoperabilidade em toda a malha federal concedida, conforme a Resolução nº 4.281/2014. As autorizadas são Sem Parar, Veloe, ConectCar, Greenpass e Move Mais; a agência afirma que nenhuma outra empresa está habilitada. Em São Paulo as operadoras são autorizadas pela ARTESP sob a Resolução SLT nº 13/2011, e a Tamoios lista Veloe, ConectCar, Move Mais, Taggy e Sem Parar como aceitos. ConectCar e Veloe declaram cobertura de 100% dos pedágios, com cancela ou free flow. O tag dá um desconto básico de 5% na maioria das concessões e habilita o desconto de usuário frequente.
Perguntas frequentes
Quem define o valor do pedágio no Brasil?
O contrato de concessão, regulado pela ANTT nas rodovias federais e por agências estaduais como a ARTESP em São Paulo. O valor é reajustado uma vez por ano pela inflação, na data fixada em cada contrato.
Um tag serve em todas as rodovias?
Na malha federal, sim: a ANTT assegura a interoperabilidade das cinco administradoras autorizadas, Sem Parar, Veloe, ConectCar, Greenpass e Move Mais. Nas estaduais a autorização é da agência do estado, e as concessionárias paulistas aceitam as mesmas marcas e também a Taggy.
Posso pagar pedágio com Pix ou cartão?
Sim. Segundo a ANTT, quase todas as praças federais aceitam Pix, cartões por aproximação, dinheiro e tag. Nos pórticos free flow o pagamento é posterior, pelo site ou app da concessionária.
Quando os pedágios são reajustados?
Cada contrato tem sua data. A Dutra (CCR RioSP) reajusta em 1º de setembro; os contratos paulistas de primeira e segunda fase, em 1º de julho, com 4,72% em 2026.
As praças de pedágio da BR-116 entre São Paulo e o Rio de Janeiro, com os valores de categoria 1 em vigor desde 1º de setembro de 2026, o total de R$ 44,60 na via principal, o free flow das pistas expressas na Grande São Paulo, os descontos DBT e DUF com tag e a isenção das motocicletas.
O que é o pedágio free flow, a base legal no art. 209-A do Código de Trânsito, as regras da Resolução CONTRAN 1.013/2024, os 200 dias sem multa da Deliberação 277/2026, a consulta nacional no app CNH do Brasil, onde os pórticos operam nas rodovias federais e paulistas, e como quem não tem tag paga.
O que a moto paga em cada tipo de concessão, do multiplicador 0,5 à isenção total, a regra do eixo suspenso da Lei 13.103/2015 e a punição por eixo indevidamente erguido, o Vale-Pedágio obrigatório, as isenções oficiais nas rodovias federais e paulistas, e como funcionam o DBT e o DUF.